sexta-feira, 12 de setembro de 2014

APROPRIAÇÃO INDÉBITA DO VOTO
(Ari Pinheiro – Poeta de Jaguari/RS)

        Estamos em uma democracia. Estamos? Tenho minhas dúvidas. Somos obrigados a votar; se não votarmos somos multados, além de outras sanções sociais. Somos obrigados a apresentar-nos para o serviço militar obrigatório, do qual podemos ser dispensados ou não, ao prazer das autoridades das forças armadas. Se não nos apresentarmos na devida data podemos ser punidos com muitas sanções sociais e até mesmo restrição da liberdade. Não me parece algo muito democrático, mas enfim, esta é a “Democracia” à moda brasilis...
        Aproxima-se o pleito eleitoral e os candidatos berram a plenos pulmões em horário nobre, invadindo nossas casas pelas janelas da Tv, Rádio e Internet... Querem nosso voto, e vão ter, malgrado o desgosto que temos tido com a classe política ao longo dos últimos anos nesse país. Vão ter porque somos obrigados a votar em alguém, ou pior, anular o voto; que a meu ver é uma punição ao povo, já que não nos deixam muitas opções.
        O Brasil foi loteado por feudos políticos, praticamente não há como escapar da frustração com o sufrágio. Hoje as pesquisas nos dizem que temos que escolher entre uma presidente que “não sabe de nada” sobre as roubalheiras que seus partidários implementaram na máquina pública pelos últimos 15 anos; um candidato que é pior que o José Serra em questão de carisma e outra candidata que sequer conseguiu fundar um partido político a tempo de concorrer por sua própria sigla, além de titubear sobre assuntos importantes, sempre que pressionada... Este é o cenário que se apresenta na política dita “democrática” nesse nosso lindo país continental; que a julgar pelas últimas denúncias publicadas pelos principais jornais e mídias eletrônicas, transformou-se numa espécie de caverna de Ali Babá (com bem mais de 40 ladrões).
        Eles querem o nosso voto, e vão tê-lo, pelo menos o da maioria, não porque os amamos ou respeitamos, mas porque somos obrigados a pieguice, como ovelhas levadas ao matadouro, prosseguimos mudos a depositar nas urnas as nossas desesperanças. Eles vão apropriar-se de nossas vontades, não porque mereçam ou porque sejam mais inteligentes do que nós; mas porque num país “democrático” somos obrigados a escolher o menos pior.  E assim caminhamos nós, espoliados de direitos e escolhas!

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