terça-feira, 10 de julho de 2012

O PERIGO DE CONSTRUIR MURALHAS


Pr.  Ari Pinheiro
   Quando construimos muralhas ao nosso redor, com o pretexto de que assim não seremos atingidos pelas maldades do mundo, acabamos encastelados em nós mesmos; sob uma carapaça mental e espiritual que mais atrapalha do que ajuda.
   Uma muralha é uma arma de defesa; quanto mais inexpugnável, mais seguros nos sentimos, no entanto devemos lembrar que isso também pode demonstrar nossas fraquezas. Na arte da guerra é notório o saber de que quem se defende é porque está fraco, ao passo de que quem se lança ao teatro de operações é porque montou uma extratégia(um plano de ação) e está fortalecido em seus treinamentos táticos.

   A vida, as vezes dura, nos faz construir muralhas ao redor, como uma defeza natural contra aquelas situações que nos causam dor. O que nós esquecemos é que a mesma muralha que nos defende também impede a chegada de víveres, ou seja, das bênçãos e dos abençoadores de nossa vida. E quem são estes abençoadores? Nossos familiares, amigos, colegas, além do nosso abençoador máximo: Jesus Cristo.
   Devemos estar preparados e capacitados para defender-mo-nos dos dardos inflamados do inimigo, todavia não com muralhas inexpugnáveis, não com atitudes de isolamento do mundo e da sociedade e sim com as armas do Espírito, citadas em Efésios 6:10-18 “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; E calçados os pés na preparação do evangelho da paz; Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santo.

   Está mais do que comprovado, através da ciência e da própria história, de que quem se isola sucumbe, vítima de si mesmo ou de alguém que passa anos estudando os pontos fracos para então desferir o ataque.
   Veja o caso da cidade de SARDES: foi fundada no século 12 a.C. No passado, foi a capital da antiga monarquia lídia, um dos reinos mais ricos do mundo antigo. A cidade, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Situava-se em uma rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Os lídios foram o primeiro povo antigo a cunhar regularmente moedas. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e (dizem que derrubou o elmo e desceu para pegá-lo), depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade “inconquistável” caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite. Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre, o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco, o Grande, da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio.
   Muitas vezes, não raro, o encastelado sucumbe vítima de sua própria prisão mental, a qual é capaz de fabricar inimigos fictícios tão perigosos quanto os reais. Os asilos e manicômios estão repletos de pessoas que foram presas de inimigos imaginários, frutos de mentes vazias, sem treinamento, jardins fecundos onde satanás acabou semeando hectares de dúvidas e medos inconfessáveis.
   Somos seres sociáveis, criados para viver em comunidade, congregando e interagindo na construção do mundo. No primeiro capítulo da bíblia Deus chama o homem à ajudá-Lo na obra da criação, nomeando as criaturas e comandando-as. Deu ao homem uma companheira sob a seguinte premissa: “Não é bom que o homem viva só!” Fomos chamados ao trabalho, à liderança; não a solidão, ao exílio e a procrastinação. No exato momento em que achamos que podemos viver sós, sem amigos e irmãos, sem família, seja ela carnal ou espiritual, assinamos nossa sentença de morte, pois existe um que não dorme e está sempre a espera de que derrubemos o capacete e desçamos a encosta para buscá-lo. O inimigo usará este caminho para tomar a nossa fortaleza. Sem cobertura espiritual, sem amigos; sem intercessores; sem confidentes; certamente nossa derrota será apenas uma questão de tempo.
   Ao invés de perdermos tempo construindo muros ao redor de nós, devemos construir amizades, relacionamento fortes e duradouros onde possamos realmente nos refugiar caso um dia o infortúnio vier bater à porta!
   Congregar é preciso!

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

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António Jesus Batalha disse...

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