domingo, 27 de maio de 2012

COMO ESTAMOS CAMINHANDO PARA EMAÚS?

Pr Ari Pinheiro


(LUCAS 24:13-16) “Nesse mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios; e iam comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido. Enquanto assim comentavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles; mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não o reconheceram.”

   Um dos encontros mais surpreendentes das escrituras é este dos dois discípulos no Caminho de Emaús. O Mestre havia sido morto pelos romanos, depois de ter sido entregue pelos seus no julgamento mais fajuto que a história já conheceu. Imagine que sequer o direito romano queria a condenação de Jesus, mas o sistema religioso trabalhou vigorosamente para que tudo saísse como saiu. Caifás estava livre da pedra em seu sapato, e os discípulos estavam apavorados, tristes e dispersos, sem entender direito o que estava acontecendo, embora Jesus sempre os alertasse claramente sobre o que viria acontecer
   Quando Jesus se aproxima e começa a andar com eles, a tristeza, o medo e a falta de entendimento não deixam com que percebam quem os acompanha. Jesus provoca, fala sobre as escrituras, eles se maravilham; mas mesmo assim não o reconhecem.
   Assim é também hoje. A palavra é pregada, o Verbo é anunciado e caminha entre nós, escorre por nossa língua enquanto falamos o que está escrito. É a palavra viva batendo insistentemente no coração do homem; mas o ele não ouve, não vê e não sente. Quer que Jesus desça num foguete interplanetário, numa profusão de fogos de artifício, rodeado de falanges celestiais ao som de mil trombetas! Esse é o homem do 3º Milênio, cheio de legalismo e hipocrisia; metódico e presunçoso. Acha que é o dono da verdade e que Deus é um empresário de um país distante; com quem ele pode fazer negócios e comprar bênçãos sempre que estiver na “pindaíba”. O que nós conseguiríamos negociar com Deus? Quais bens ofereceríamos para quem já é dono de tudo? Ele só quer a nossa adoração, quer ser glorificado; e nós teimamos em não entender a simplicidade da salvação.
   Jesus está presente, venceu a morte e abalou os infernos. Ressuscitou para que os doentes tivessem saúde, para que os mortos tivessem vida, para que os possessos gozassem da liberdade que só o evangelho pleno pode dar. É preciso que o reconheçamos no pão que reparte conosco todos os dias, na maneira com que abre as escrituras e nos ensina os mistérios do Reino.
   Os discípulos de Emaús reconheceram Jesus pelo seu gesto de partir o pão, tomara que nós o reconheçamos todos os dias no rosto de nossos irmãos, nas lideranças espirituais deste tempo, no seio de nossa família. Tomara que não olhemos para Jesus como um estrangeiro que, por puro acaso resolveu repartir a jornada conosco. Para eles o encontro mudou suas vidas, sua fé foi acrescentada e passaram a testemunhar de Jesus ressurgido para todos os que encontravam.
   Nós, que somos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, anunciaremos Jesus de que modo? Quando sobrar tempo? Quando não houver mais tempo? Lembre-se: o fim de todas as coisas é uma questão de tempo; quem tem ouvidos ouça...