sábado, 26 de fevereiro de 2011

KADAFI E ELIZABETH

Kadafi e Elizabeth, a dama e o cachorro louco
Pr Ari Pinheiro



   Um dia, num tempo não tão distante assim, Ronald Reagan era presidente do Estados Unidos da América, e num momento de iluminação quase profética chamou o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, de “cachorro louco do Oriente médio”. Mal sabia ele o quanto de loucura cabia no cérebro egocêntrico do coronel Kadafi.
Bush pai; Busch filho, Bill Clinton e agora Obama são (como dizia o prólogo do antigo Repórter Essso) “testemunhas oculares da história”. Kadafi não só estabeleceu sua loucura megalomaníaca na Líbia, como loteou o país entre seus filhos; coisa que nem os regimes monárquicos ousaram fazer ao longo da história humana. E porque não o fizeram? Porque o povo, mesmo que governado por um rei, gosta de ter a sensação de que alguém de suas relações o represente nas esferas mais altas do poder. Pode ser ilusório, mas o fato de um primeiro ministro ser eleito pelo povo (mesmo que isso seja por vias indiretas) mantém a plebe quieta e ordeira por muito tempo. A inglaterra sabe disso, e vejam a quanto tempo a rainha-mãe está no trono. Aliás, ele mesmo, Kadafi, falou isso em recente pronunciamento.


Muita petulância do senhor kadafi querer se igualar a Rainha Elizabeth! Nem em meus devaneios mais profundos eu ousaria imaginar a dama inglesa ordenando que aviões e tanques de guerra abrissem fogo pesado contra manifestantes civis; mesmo que sejam eles manipulados por “forças estranhas” que agem dentro e fora da Líbia. Essas forças estavam adormecidas, pois o cachorro louco não havia manifestado a doença em toda a sua extenção. Fazia estrepolias apenas dentro de seu quintal; derrubando um aviãozinho aqui, financiando um atentado ali, coisa pouca, como se diz no Rio Grande. Enquanto isso as “forças estranhas” que o querem fora, hoje mais do que o próprio povo líbio, enchiam as burras com barris de petróleo a preços convidativos e contratos milionários para suas empreiteiras. Agora é uma correria só, o cusco se soltou e está querendo morder toda a vizinhança, e ninguém quer tomar parte, sob pena de ser contaminado pela raiva e levado de roldão na esteira dos acontecimentos.


Kadafi diz que não sai; Mubarak também dizia. O povo, em sua maioria quer vê-lo pelas costas. A comunidade internacional, até mesmo aqueles comensais acostumados à sua mesa, bateram em retirada, mas ele e a família dizem que ficarão até a última bala.E os mortos se amontoam nas ruas de Trípoli, última trincheira do ditador acuado. Tenho certeza de que se isso estivesse acontecendo na Inglaterra, nossa dama sairia em um avião escoltada pelo serviço secreto e iria terminar os seus dias em algum paraíso tropical, cercada de regalias. Kadafi tem tanto dinheiro que poderia fazer isso com toda a família, mas dificilmente fará.


Esta é a grande diferença entre uma dama e um cachorro louco.

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