quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CULTO OU REUNIÃO SOCIAL?


Escrevo esta coluna daqui da iluminada cidade de Florianópolis, onde nos encontramos em pleno trabalho missionário. O que temos visto e ouvido por aqui é de arrepiar os cabelos, histórias de cristãos equivocados, com a visão fora de foco, como se fossem portadores de catarata espiritual.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a invasão que a fofoca está fazendo na igreja do terceiro milênio. Fala-se de tudo, menos do reino de Deus. Parece que este, só o pastor pode falar em suas homilias.
É preciso que tomemos posição quanto ao nosso papel na construção do reino. Acho que devido ao novo código civil, que exige um cem números de documentos, carteiras, regimentos, estatutos, notas e algo mais da igrejas, é que os crentes estão confundindo os cultos com reuniões sociais. Se é para discutir religião, discutir a pregação, discutir usos e costumes, discutir a escrita bíblica, se está certa ou não está, se é para discutir a fé e suas aplicações, então não vamos mais escrever igreja tal em nossas placas; vamos substituir por sociedade de estudos bíblicos, assim a coisa fica mais “liberal”, a fofoca entra como algo mais natural, sem ninguém ter que ficar com sentimento de culpa por ter falado mal do pastor ou de algum irmão qualquer; e ao invés de campanhas de evangelização, curas e milagres, vamos fazer campanhas para aumentar nosso quadro social. Assim talvez os crentes parem de correr atrás de profetas e profecias e sintam vontade de comer a Palavra de Deus, sintam sede de beber da Fonte da Água da Vida, sintam necessidade de voar nas asas do Espírito santo.
Religião, fé; doutrina; usos e costumes; nada disso se discute; tudo isso se pratica. Se você acha que a doutrina de sua igreja é fraca, que a fé pregada lá é vã; que seu pastor não tem unção; que a fofoca tomou o lugar do estudo bíblico; posso dizer sem sombra de dúvidas que você está no lugar errado. Mude de templo, mude de denominação, mude até geograficamente, se você quiser; mas não mude de Deus. Ele continua o mesmo, é imutável em sua personalidade e seus desígnios, e não habita em templos de pedra, mas mora no coração de quem O recebe.
Se depois de fazer todas as mudanças escritas acima, ainda achar que não encontrou o lugar certo, então se converta de verdade, porque se onde você vai está tudo errado, tome cuidado, o errado poder ser você que ainda não abandonou o coração e o olhar de juiz, ainda não se converteu em verdadeiro adorador.
Esta é a diferença básica de culto e reunião social. O culto é para adorar, adorar e adorar. A reunião é para discutir, discutir e discutir. Se você é daqueles que adora uma “discução bíblica”, procure uma associação literária ou um chat na internet, está cheio disso por aí. Agora, se você quiser adorar ao Cristo Vivo, te espero no próximo culto para adorarmos juntos o único que vive e reina para sempre!


Colossenses 2:20-23 “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.”

Um comentário:

Giulliana Goiana disse...

Amado irmão, vejo o zelo que tem demonstrado pela verdadeira adoração, pela verdadeira espiritualidade. Por isso, se me permite, farei algumas considerações sobre o texto acima.

Primeiramente, acredito que a exigência de documentos, regimentos e estatutos não é o que tem prejudicado a verdadeira espiritualidade, visto que o nosso Deus é um Deus de ordem. Muito pelo contrário, esses cuidados contribuem para a nossa credibilidade e testificam da nossa integridade junto à sociedade que é alvo da nossa pregação. Além de nos ajudarem a sermos mais organizados,como preza o nosso Deus. Essas exigências existem para que não sejamos confundidos com os muitos oportunistas que se dizem líderes religiosso, mas que fundam "igrejas" no intuito de aproveitar-se da boa fé dos leigos e difamar o verdadeiro evangelho.

A frieza espiritual, fofoca e tantos outros males apontados pelo irmão, obviamente são fruto de falta de conversão em alguns casos, e em outros, de imaturidade cristã.

Lembremos que o apóstolo Paulo, ao se referir aos coríntios como sinal da sua imaturidade o desconhecimento de princípios doutrinários básicos, o que não os permitiu amadurecer.

“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições...” (I Co 3:1-2

Tendo em vista ser a imaturidade ou superficialidade um mal que tanto prejudica a espiritualidade, como mostra o texto, não consigo imaginar uma igreja cristã que não tenha sede das escrituras; que não busque profundidade no conhecimento da Palavra; que não se aplique em estudá-la, visto que para nós ela é "Lampada para os pés" e "Luz para o caminho", para que não sejamos "levados por todo vento de doutrina".

A verdadeira espiritualidade não é possível sem conhecimento de Deus, de seus atributos, de sua obra e dos preceitos que ele mesmo quis revelar a nós, para que não soframos "por falta de conhecimento".

Por isso não há nenhum outro ajuntamento sobre a face da terra ao qual seja mais cabível o estudo bíblico do que o da Igreja do Senhor Jesus.
Não há Igreja sem estudo bíblico, pois Cristo, no qual nós estamos firmados, é a própria Palavra de Deus encarnada (Joao 1). Nela subsistimos, ela é a luz que nos guia, ela que nos mantém em Deus. Não há como o adorar sem o conhecer.

Quando o povo de Deus se junta para discorrer sobre sua Palavra o coração dele se alegra, o Espírito os ilumina, abre-se-lhes o entendimento, vidas são transformadas pelo poder da Palavra e o seu nome é glorificado.

Sei que as discussões as quais irmão se referiu no seu artigo são aquelas discussões vãs, sobre as quais o mesmos Paulo exortou a Igreja, não aquelas sobre as quais me refei acima. Mas escrevi este comentário para aqueles leitores menos atentos que podem fazer uma leitura incorreta do que o irmão quis dizer.

Deus abençoe cada dia mais o seu ministério. Um garnde abraço.