quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Tenho problemas com hipócritas...

Pr. Ari Pinheiro

E parece que por não gostar muito de fariseus, vez por outra eles se atravessam no meu caminho.
É verdade que tenho que me converter cada dia mais, pois a Bíblia manda amar os meus inimigos, quanto mais essa raça de fingidores que assola o terceiro milênio. São tapinhas nas costas, meios sorrisos, um pouco de puxasaquismo e punhais afiados. Punhais disfarçados de espanadores, de plumas e outros objetos macios, mas que na hora do adeus, como se diz lá na fronteira, "cortam mais que pensamento de china despeitada."


A estas alturas alguns fariseus hipócritas devem estar pensando ou até dizendo por aí que estas não são palavras dignas de um texto escrito por um pastor. Este é o problema de muitos bajuladores de plantão. Falam uma linguagem empolada e ininteligível, própria dos enroladores, que prendem a atenção das pessoas mais pelas asneiras do que pela boa fluência da fala ou do texto que escrevem. Não vivem o que pregam e não pregam o que vivem, são sepulcros caiados que só servem para empestear o ambiente onde estão dispostos, como feridas brancas escondendo gangrenas mortais sob uma falsa cicatrização.


Tenho problemas com esta gente, porque a alergia que se propaga entre treva e luz faz com que estas duas facções nunca se misturem, já que seus produtos finais são distintos e não satisfazem os mesmos paladares. A hipocrisia tomou conta dos altares, dos púlpitos, dos palcos, das instituições, dos lares, enfim; é um tipo de câncer que espalhou suas metástases por todo o tecido social e prepara o ritual para uma morte anunciada.


Só existe uma vacina capaz de parar o avanço desta chaga mortal, é colocar mais de Deus no coração da humanidade, e, em derradeira instância, preparar um azorrague para expulsar os cambistas da esplanada do templo, antes que ele se transforme num banco ou outra empresa qualquer de fomento.


Talvez você não tenha gostado da minha linguagem, mas ela é autêntica e não precisa de retoques para que seja entendida. É meu discurso e minha prática, no púlpito, na rua, na pescaria ou na fila do banco. Uma cara só para um homem só, com defeitos e virtudes, porém verdadeiro em suas lutas e anseios.


Tenho problemas com hipócritas, por isso tenho que descer na olaria de Deus para que meu vaso seja refeito. Preciso aprender que os fariseus também merecem a salvação, mas que dá uma vontade, isso não se pode negar...


Hoje eu entendo porque Jesus perdeu a paciência com essa raça...

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